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Título da NotíciaEstudos indicam tendência de recuperação dos cursos d?água e do solo na bacia do Rio Doce

Publicada em 23/12/2022 às 06:23h - 55 visualizações

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Ações de reparação da Fundação Renova colaboram para a recuperação do rio e regeneração do solo
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O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015, exigiu uma série de soluções para a recuperação das áreas atingidas da bacia do Rio Doce. O trabalho de reparação desenvolvido desde o acidente foi estabelecido no chamado Plano de Manejo de Rejeitos, que reúne uma metodologia estabelecida conjuntamente entre Fundação Renova (entidade responsável pela reparação dos danos do rompimento), órgãos ambientais, especialistas técnicos, acadêmicos e sociedade civil.

Sete anos após o desastre, o resultado das ações empregadas pode ser percebido e cientificamente confirmado: estudos e monitoramentos indicam que o rio e as margens estão retornando progressivamente às condições ambientais que estavam antes do rompimento.

Uma dessas pesquisas foi liderada pelo especialista Carlos Tucci, professor aposentado do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e proprietário da Rhama Consultoria Ambiental. A primeira etapa do estudo, que analisou dados coletados até 2019, mostrou uma redução de 34% no volume de rejeitos depositados no leito do rio após o rompimento - dos 23,4 milhões de m³ de rejeitos retidos ao longo dos rios impactados, restavam 15,3 milhões de m³.

Para fazer o levantamento, foram considerados dados anteriores e posteriores ao rompimento e aplicada uma modelagem matemática que permitiu analisar a interação do ambiente com o rejeito ao longo dos anos.

Após novembro de 2015, as análises mostravam rejeitos em quantidade acima do registrado antes do rompimento. Em junho de 2017, no entanto, o cenário já era outro: os índices e valores referentes aos sedimentos se aproximavam aos medidos antes do rompimento, o que evidencia a recuperação do curso d’água. Foram comparados períodos semelhantes, ou seja, de baixa vazão dos rios (quanto mais chuva, maior vazão e maior o escoamento de sedimentos).

“A gente viu nas simulações, para aquela faixa de vazões existentes entre 2015 e 2019 (não tão alta), que depois de 2017 a relação entre vazão sólida e vazão líquida já tinha voltado ao cenário antes do rompimento. Ou seja, o rio, na maior parte do tempo que não tivesse grandes enchentes, estava se comportando como se comportava antes”, explica Carlos Tucci.

Reflorestamento e revegetação mostram resultados em Mariana - Foto: Fundação Renova

A maior redução no volume de rejeitos foi verificada abaixo da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (conhecida como Candonga), considerando que o lago do reservatório reteve uma quantidade significativa. O que seguiu, se misturou ao sedimento natural do rio.

O professor, especialista em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, lembra que parte desse material fica no fundo do rio, junto ao que ficou depositado ao longo dos anos, o que é natural. O que pode acontecer, em casos de enchentes, é uma ressuspensão maior de sedimentos, incluindo o rejeito depositado.

“Quando chove mais, a própria bacia traz (sedimentos) finos, pela erosão das bacias. O que hoje ocorre é esse acréscimo de sedimentos (tudo aquilo que está nas margens e planícies ao redor dos rios) àquele residual que ainda tem no fundo do rio”, completa Tucci.

O engenheiro civil Paulo Rosman, professor titular da área de Engenharia Costeira e Oceanográfica na COPPE/UFRJ, fez um estudo de quantificação dos sedimentos carregados pelo Rio Doce até seu estuário (onde o rio se conecta ao mar), em Linhares/ES, e zona costeira adjacentes.

O estudo abrange o período logo após o rompimento, ainda em novembro de 2015, e seguiu até junho de 2019. É possível verificar que, já a partir de março de 2016, a carga de sedimentos aportada pelo rio Doce na área marinha já era semelhante ao que ocorria historicamente.

“Os dados medidos de abril de 2016 a junho de 2019 são iguais ou menores que os valores naturais esperados no rio”, afirma Paulo Rosman. Segundo Rosman, a parte mais “grossa” do material (cerca de 10 milhões de m³) foi depositada no trecho entre Fundão e Candonga. A partir dali, a onda perdeu força e foi se depositando em camada mais finas - entenda o trajeto do rejeito.

“O resíduo é basicamente chão, solo, terra, areia, silte, um material mais fino que areia. O que chegou ao mar foram partículas de sedimentos muito finas, material em suspensão. O mais grosseiro ficou para cima, retido nos trechos acima da UHE Risoleta Neves”, diz.

Ao passar por diferentes reservatórios, parte do rejeito era retido. O que avançava, era composto por material muito mais fino. Isso também foi impactando a qualidade e a coloração da água, o que muda conforme as vazões dos rios.

“Durante vários meses, a água ficou barrenta. O impacto nos primeiros meses foi enorme, mas foi decrescente. Depois de um ano, o impacto era muito pequeno”, avalia.

Reflorestamento avança em área atingida de Mariana (MG) - Foto: Fundação Renovaa

Ações de reparação dos solos

 

Os solos atingidos pelo rejeito também têm respondido bem às ações de reparação implementadas pela Fundação Renova. O professor Carlos Schaefer, do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa, tem monitorado tudo desde o rompimento, junto a seu grupo de pesquisa, que também analisou a composição desse solo.

São 60 pontos de coleta, entre a barragem de Fundão e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, e análises contínuas desde o desastre - o trabalho foi iniciado cinco dias após o rompimento.

Os dados mostram que não há riscos para o plantio nos solos afetados, chamados tecnosolos, nem no consumo do que for produzido nessas terras por animais ou humanos. A única limitação é uma deficiência química que pode ser resolvida com adubação e fertilização.

Outros estudos sobre os solos atestam as tendências de recuperação e mostram ainda como as ações de contenção de sedimentos e práticas agrícolas adotadas têm auxiliado na aceleração do processo. Um deles, coordenado pela doutora Maria Catarina Megumi Kasuya, comprovou que a revegetação emergencial aumentou a diversidade de microrganismos no solo.

Com a continuidade dessas ações, a perspectiva é de que ocorra a recuperação plena do solo atingido pelos rejeitos, conforme análise do professor Schaefer - confira a entrevista completa .

Outra forma de conferir essa evolução é embarcar na Expedição Rio Doce. O projeto da Fundação Renova permite que qualquer pessoa navegue virtualmente nos cursos d’água atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão e conferir os resultados das ações de reparação realizadas.




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