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Helicóptero que desapareceu com 4 pessoas a caminho do Litoral Norte de SP. — Foto: André de Sousa
As buscas pelo helicóptero com quatro pessoas a bordo que desapareceu durante um voo que partiu do Campo de Marte, em São Paulo (SP), com destino à Ilhabela, no litoral norte paulista entram no 11º dia nesta quinta-feira (11).
Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), até esta quarta-feira (10) haviam sido cumprido cerca de 122 horas de voo nas buscas. O helicóptero, no entanto, ainda não foi encontrado e as buscas serão retomadas logo pela manhã desta quinta.
Após 10 dias de buscas, a FAB e a Polícia, que investigam o caso, conseguiram, até o momento, somente algumas pistas para desvendar o desaparecimento do helicóptero.
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Força Aérea faz buscas por helicóptero com 4 pessoas que saiu de SP e desapareceu a caminho do Litoral Norte. — Foto: Arte/g1
Sinais de celulares
A mais recente das pistas foi revelada na tarde desta quarta-feira (10), pelo Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope): a de que uma antena em Paraibuna também identificou sinais do aparelho celular de Raphael Torres, um dos passageiros da aeronave.
Segundo o Dope, a antena captou sinais do telefone de Raphael até às 23h54 do dia 31 de dezembro, dia do desaparecimento.
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Antena de celular (à esquerda) que identificou último sinal emitido pelo celular de passageira do helicóptero desaparecido em SP — Foto: Reprodução/TV Globo
Antes dessa nova pista, a corporação envolvida nas investigações também haviam identificado a emissão de sinais do celular de Luciana Rodzewics. No entanto, o aparelho emitiu sinais até às 22h14 do dia 1º de janeiro, quase 24 horas depois do celular de Torres.
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Primeiras pistas
Antes da identificação dos sinais dos celulares de Raphael e Luciana, a Polícia levantou, logo no início das buscas, mensagens trocadas entre Letícia Ayumi (filha de Luciana) com o namorado, durante o voo.
Na ocasião, Letícia chegou a trocar mensagens com o namorado. Ela conta que o grupo chegou a fazer um pouso antes de retomar o voo e perderem contato. Letícia enviou duas fotos do local para o namorado.
As mensagens foram enviadas no domingo e a jovem escreveu:
“Tempo ruim. Não dá para passar. Medo”.
Depois, Letícia envia uma mensagem dizendo que fizeram um pouso de emergência.
“Pousamos no meio do mato”, disse.
Na sequência, o namorado pergunta em qual local ela estava e a jovem diz não saber.
“Sei lá, estou parada no meio do mato”, afirmou Letícia.
Um vídeo feito por Letícia, que mostrava as más condições do tempo durante o voo, também servem de pistas para a Polícia. Na ocasião, a jovem enviou o vídeo ao namorado e afirmou que o tempo estava ruim.
Segunda troca de mensagens
Ainda no dia do desaparecimento, o passageiro Raphael Torres enviou um áudio ao filho, às 14h25 -- cerca de 1h10 depois da decolagem -- dizendo que haveria uma mudança de rota por causa das condições climáticas e que a aeronave iria para Ubatuba, também no litoral norte.
“Vi que você leu minha mensagem agora. Acho que vou para Ubatuba, porque Ilhabela está ruim. Não consigo chegar”, disse o empresário em áudio enviado ao filho às 14h25.
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O empresário Raphael Torres é um dos passageiros do helicóptero que sumiu em São Paulo — Foto: Arquivo pessoal
Local de pouso
Um pouso feito pela aeronave, próximo à represa em Paraibuna, também é utilizado como pista na investigação do caso. Isso porque, durante o voo, a aeronave pousou em um local, o qual Letícia registrou e enviou ao namorado.
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Helicóptero chegou a fazer pouso de emergência em área de mata, antes de retomar voo e desaparecer em SP. — Foto: Arquivo pessoal/g1
No sábado (6), seis dias após o desaparecimento, a Polícia Civil encontrou a área onde o helicóptero pousou.
O local, segundo a Polícia Civil, foi encontrado após o rastreio do último sinal do celular de Luciana Rodzewics, uma das pessoas que estavam na aeronave. Ao encontrar o local, a polícia passa a traçar novas rotas de buscas e investigações. A polícia informou que não acredita ter sido um pouso de emergência no local, mas, sim, um pouso para esperar por melhores condições climáticas.
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Desaparecimento
De acordo com a Polícia Militar, que deu apoio nas buscas, a aeronave desaparecida saiu do aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo, no domingo (31), por volta das 13h15, com destino a Ilhabela.
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Luciana Rodzewics, de 45 anos; a filha dela, Letícia Ayumi Rodzewics Sakumoto, de 20 anos estavam na aeronave. — Foto: Arquivo pessoal
Ao g1, a irmã da passageira Luciana informou que eles planejavam fazer um bate-volta para Ilhabela. Ela alega que Raphael é amigo do piloto e convidou a Luciana e a filha para esse passeio. Não era, segundo ela, um passeio contratado.
O helicóptero que desapareceu possui o prefixo PRHDB, modelo Robinson 44, e é pintado de cinza e preto.
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Helicóptero que desapareceu com 4 pessoas a caminho do Litoral Norte de SP. — Foto: André de Sousa
Buscas
No dia 31 de dezembro, às 22h40, foi gerado um alerta para o Comando de Aviação e para o Corpo de Bombeiros, já que não havia registro de pouso da aeronave ou possibilidade de contato com o piloto.
Desde então, a Força Aérea Brasileira (FAB) tem procurado o helicóptero desaparecido. Segundo a FAB, no entanto, a área delimitada é de cerca de 5 mil quilômetros -- o que dificulta as buscas.
Inicialmente as investigações iniciais apontavam para a possibilidade de o helicóptero estar em alguma área entre a Serra do Mar, que é uma região de floresta densa do bioma Mata Atlântica, e Caraguatatuba (SP), cidade vizinha ao arquipélago de Ilhabela.
Na primeira semana, além da FAB, a Polícia Militar e a Polícia Civil também iniciaram o auxílio nas buscas pelo helicóptero desaparecido.
Ainda nos primeiros dias, as buscas pelo helicóptero foram concentradas no litoral norte, Paraibuna, Natividade da Serra, Redenção da Serra, São Luiz do Paraitinga e Salesópolis.
Durante a segunda semana, a concentração das buscas foi voltada às cidades de Paraibuna, Redenção da Serra e Natividade da Serra, próximo à represa onde o helicóptero fez o último pouso registrado.
Na primeira semana, além da FAB, da PM e da Polícia Civil, um helicóptero do Cavex de Taubaté também auxiliou nas buscas. O modelo utilizado para as buscas foi o Pantera K2.
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Aeronave do Cavex de Taubaté vai auxiliar buscas por helicóptero desaparecido em SP — Foto: Tenente Luara Leimig
Um dia depois, no sábado (6), a Polícia Civil passou a utilizar drones para auxiliar nas buscas pelo helicóptero desaparecido.
Ainda no sábado, foi identificado por meio da imagem do drone um objeto suspeito entre as árvores. O helicóptero Pelicano, da Polícia Civil, foi ao local para ajudar na averiguação do objeto suspeito. Porém, na sequência, a polícia constatou que se tratava de um tronco de árvore.
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Polícia Civil instala base operacional em Paraibuna na busca pelo helicóptero desaparecido em SP — Foto: Rauston Naves/TV Vanguarda
O SC-105 Amazonas foi a primeira aeronave a participar as buscas, que começaram no dia 1° de janeiro. O modelo conta com 15 tripulantes - a maioria dos profissionais a bordo ficam nas laterais da aeronave de busca observando o solo abaixo para localizar possíveis sinais do helicóptero desaparecido.
Outro modelo da FAB que participa da operação é o H-60 Black Hawk, um helicóptero militar versátil de médio porte, usado em larga escala para infiltração e retirada de tropa para missões de resgate e busca e salvamento.
A aeronave pode percorrer até 295 quilômetros em apenas uma hora e conta com nove tripulantes a bordo nas buscas pelo helicóptero desaparecido.
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H-60 Black Hawk, da Força Aérea Brasileira — Foto: Divulgação/Força Aérea Brasileira
Além da FAB, a operação conta com auxílio de dois helicópteros Pelicano da Polícia Civil. Cada aeronave do modelo ‘Esquilo’ opera com quatro pessoas a bordo, sendo dois pilotos e dois tripulantes.
O modelo tem quase onze metros de comprimento e mais de três metros de altura. Pesa 1,1 tonelada vazio e pode comportar um peso máximo de 2,2 toneladas.
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Helicóptero Pelicano, da Polícia Civil — Foto: Divulgação/Secretaria de Segurança Pública
Dois helicópteros Águia da Polícia Militar também participaram da busca. O Águia 12 é equipado com FLIR (do inglês ‘Forward Looking Infra-Red’), que detém uma câmera termal (infravermelha) e de grande possibilidade de zoom, o que amplia a capacidade das buscas.
Também empregado na operação, o Águia 33 conta com a capacidade de voo por instrumentos (o que dá mais segurança) e piloto automático (provoca menor carga de trabalho no voo, com mais atenção de todos nas buscas).
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Helicóptero Águia, da Polícia Militar — Foto: Divulgação/Polícia Militar
Piloto tinha licença cassada
O piloto Cassiano Tete Teodoro, de 44 anos, é uma das quatro pessoas desaparecidas após o helicóptero que ele estava comandando perder contato com a torre e sumir no último domingo (31). Nenhum órgão oficial divulgou a identidade do piloto, no entanto, a informação foi apurada pelo g1.
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Piloto Cassiano Tete Teodoro, de 44 anos. — Foto: Reprodução/Redes sociais
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Cassiano tem um histórico ruim. A Anac informou que o piloto chegou a ser pego em flagrante em uma ação de fiscalização no aeroporto Campo de Marte, em 2019, no qual piloto chegou a jogar o helicóptero que comandava contra um servidor da Anac, que realizava a fiscalização no local.
Em setembro de 2021, a diretoria da Anac cassou a habilitação dele. O órgão afirma que houve caso de conduta grave de fraude por parte de Cassiano, irregularidade que resultou na pena máxima de cassação.
Para a Anac, cassar a habilitação para voar é a pena mais grave dentro da ação administrativa do órgão regulador, é a punição máxima que se pode aplicar.